Retalhos de Gilda

Escrever é um vício.

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ESPERANÇA
ESPERANÇA
Quando uma semente é plantada na terra, tudo o que vemos é o negror do solo. Por um bom tempo esta é a realidade. Assim é também com a esperança no coração, após um longo período de crise ou pandemia. Regamos o local e consultamos o coração, ansiosos pelo broto, que se faz de rogado. Mas, se a semente é boa, ela germinará e surgirá um pequeno ponto verde, na terra preta. Acho que por isso a cor da esperança é verde. Ela é um broto de alegria no coração murcho, com tanto sofrimento.
A diminuição evidente do número de óbitos nos dá a esperança de que a convid está se afastando. Um carnaval em pleno mês de abril, é outro sinal. Será possível que voltemos a conviver socialmente, como antes da pandemia? Mesmo com todos os medos, este sentimento enche o coração na expectativa de uma retomada à vida anterior.
Mas, cada semente gera uma planta diferente, mesmo que da mesma espécie. Também a esperança que está brotando, será de uma outra vida diversa. As marcas da pandemia ficaram em todos, como cicatrizes permanentes. Mesmo porque não há evidência de que não haverá nova onda. De um lado do céu uma nuvem escura permanece, enquanto do outro um sol tímido tenta surgir. Se houver paciência e fé em Deus, tudo se resolverá.
Para que nossa plantinha se desenvolva precisamos regá-la, na dose certa. Se a enxarcarmos certamente ela se afogará e morrerá. Também com a esperança que está surgindo no coração, é preciso trata-la com moderação, não ir com muita sede ao pote. Não enfiar o pé na jaca, neste carnaval fora de época, pois seria a mesma coisa que colocar um balde de água no pequeno vaso que guarda o broto.
Tentar retomar a vida social todos nós precisamos fazer, e o faremos. Mas com moderação e em etapas. Mais momentos ao ar livre, enchendo os pulmões com a clorofila dos parques. Pequenas reuniões familiares de membros vacinados. Viagens com o uso de máscaras e álcool-gel ao alcance. Não buscar motivos para sair de casa. Sair na medida da necessidade.
A vida, assim como a plantinha, criará viço e crescerá em busca da plenitude. Terá seus percalços, mas vingará. Assim esperamos todos.
Gilda Porto
Enviado por Gilda Porto em 11/04/2022
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